Como importar da China em 2026
O ano mudou o jogo para quem compra do exterior: o imposto federal sobre compras pequenas caiu a zero. Este guia mostra o caminho completo — e a conta real — para comprar bem e, se quiser, revender.
1. O que mudou em 2026
Desde 13 de maio de 2026, uma Medida Provisória zerou o Imposto de Importação federal de 20% que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50 — a famosa “taxa das blusinhas”, criada em 2024. A isenção vale para compras em plataformas certificadas no programa Remessa Conforme da Receita Federal. Acima de US$ 50, o imposto federal segue em 60%, agora com dedução fixa de US$ 30. Em todas as faixas continua incidindo o ICMS estadual (17% a 20%, conforme o estado), calculado “por dentro”.
Tradução prática: uma compra de US$ 45 que em 2025 pagava imposto federal + ICMS hoje paga apenas o ICMS. Ficou significativamente mais barato comprar itens de menor valor — e a faixa até US$ 50 virou o ponto ideal de custo-benefício. Faça a conta exata na nossa calculadora de importação.
2. Onde comprar: as plataformas certificadas
Comprar em site certificado no Remessa Conforme significa pagar todos os impostos no checkout, com liberação alfandegária mais rápida e sem surpresa na entrega. As principais:
- AliExpress — maior variedade de produtos e vendedores; ideal para itens de nicho e primeiras compras de teste.
- Shein — moda e casa, com logística própria eficiente.
- Shopee (vendedores internacionais) — bom para itens baratos com frete competitivo.
- Temu e Amazon (vendas internacionais) — sortimento amplo com preços agressivos.
- Alibaba / 1688 — atacado direto de fábrica, para quem já revende. O 1688 é voltado ao mercado interno chinês: exige agente de compras, mas tem os melhores preços por volume.
3. O passo a passo de uma compra bem-feita
- Calcule o custo final antes de comprar. Produto + frete + Imposto de Importação + ICMS. Se o total em dólar passar pouco de US$ 50, avalie dividir em dois pedidos — a diferença de alíquota é grande.
- Avalie o vendedor. Tempo de loja, volume de vendas, avaliações com foto e política de devolução. Desconfie de preço muito abaixo dos concorrentes.
- Confira a cotação do dia. O câmbio usado no checkout embute spread; saber a cotação comercial do yuan e do dólar ajuda a identificar quando a plataforma está pesando a mão.
- Acompanhe o rastreio. Com tributos pagos antecipadamente, o fluxo típico é: postagem na China → chegada ao Brasil → liberação → entrega pelos Correios ou transportadora.
4. Para quem quer revender
A margem de revenda nasce na compra. Três princípios de quem vive disso: primeiro, teste antes de escalar — valide a demanda com unidades antes de fechar pedido de atacado. Segundo, precifique de trás para frente: preço de venda viável no Brasil, menos taxas do marketplace, menos impostos de importação, menos frete — o que sobra é sua margem; se for menor que 30%, procure outro produto. Terceiro, formalize quando a operação virar rotina: importação recorrente para revenda pede CNPJ e outro regime tributário.
5. Erros que custam caro
- Ignorar o ICMS “por dentro” e descobrir o preço real só no checkout.
- Comprar de site fora do Remessa Conforme para “economizar” — e pagar 60% sem dedução.
- Escolher produto por preço, não por demanda: barato que não vende é estoque parado.
- Esquecer certificações obrigatórias (Anatel para eletrônicos com rádio/Bluetooth, Inmetro para diversas categorias) ao revender.